Protesto: Garimpeiros e indígenas mantêm interdição da BR-163 há quatro dias






 
Ao longo de quatro dias, já são milhares de carretas se acumulando pela rodovia BR-163 por uma extensão de mais de cem quilômetros. A maioria dos caminhoneiros prefere não se manifestar, mas todos já foram informados sobre o motivo da paralisação do tráfego na rodovia. Um grupo de seis empresários do distrito de Moraes Almeida, a trezentos quilômetros de Itaituba, se uniram e mobilizaram todas as comunidades ao longo da BR e na rodovia estadual Transgarimpeira para um grande protesto contra as ações de fiscalização do Ibama nas áreas de exploração do garimpo, que, segundo os garimpeiros, vem trazendo graves prejuízos para a classe. Eles receberam apoio da Fecogat, a Federação das Cooperativas de Garimpeiros do Tapajós, e, às oito horas da manhã de segunda-feira, iniciaram o movimento de protesto com a interdição da rodovia BR-163, no distrito de Moraes Almeida.
Moradores de Moraes Almeida apóiam movimento
Segundo a advogada Marilu Vobetto, que representa o movimento, já foram feitos diversos contatos na tentativa de sensibilizar o governo federal acerca da necessidade de acelerar o processo de legalização da atividade garimpeira no Tapajós, demanda reprimida há mais de cinco décadas. “Nós entendemos que o garimpeiro quer trabalhar na legalidade, mas as fiscalizações, os prejuízos provocados pela forma intransigente e autoritária das equipes do Ibama e a morosidade do governo em providenciar essa legalização acabam forçando a ilegalidade”, diz.
Distrito de Moraes Almeida
Vilello Inácio faz parte da coordenação do movimento. Segundo ele, a classe garimpeira não é contra as fiscalizações, mas sim o modo com que os órgãos ambientais desenvolvem as ações, intimidando os garimpeiros e destruindo acampamentos, materiais e equipamentos. “Os fiscais não querem sequer ouvir o que dizem os garimpeiros. Eles estão armados e dispostos a queimar, destruir e gerar prejuízos à classe. Nós não somos bandidos, somos trabalhadores”, diz.
Fila de carretas atravessa distrito e se estende por dezenas de quilômetros
Segundo os garimpeiros, em menos de duas semanas, os agentes de fiscalização destruíram equipamentos que somam mais de seis milhões de reais em prejuízos. Os organismos ambientais, por sua vez, argumentam que as operações foram organizadas para combater a exploração ilegal de minério em unidades de conservação e terras indígenas. Por outro lado, até mesmo algumas lideranças indígenas decidiram apoiar o movimento de protesto em reação ao episódio ocorrido na aldeia Teles Pires em novembro de 2012, quando o índio Adenilson Kirixi Munduruku, foi morto durante a operação Eldorado, da Polícia Federal.
Reuniões são realizadas periodicamente para discutir o avanço do protesto
“Até hoje, nós sentimos essa tristeza pela perda do nosso parente. Não queremos fiscalização federal em nossas terras e também queremos que o governo suspenda essas fiscalizações com os garimpeiros, porque a gente vê que os garimpeiros querem trabalhar e não são bandidos”, diz a liderança indígena Zenilda Borõ Mundurucu, uma das líderes do grupo que foi ao ponto do protesto para apoiar a manifestação.
Indígenas Munduruku apóiam movimento
Homens da Polícia Rodoviária Federal, do Exército e da Polícia Miliar foram acionados para o local do protesto, para manter a organização e assegurar que sejam cumpridos os tempos destinados a interdição e liberação da rodovia. Segundo a PRF, existem imensas filas de carretas nos dois lados da interdição. Em sentido Moraes Almeida-Novo Progresso são mais de sessenta quilômetros de congestionamento. Em sentido Moraes Almeida-Itaituba, são mais de setenta quilômetros. Quase cento e cinqüenta quilômetros de carretas paralisadas por conta da manifestação.
PRF, PM e Exército mantêm organização para evitar incidentes
Segundo o empresário Amaro Rosa, um dos organizadores do protesto, a coordenação do movimento também entrou em acordo para líber o tráfego a cada seis horas de interdição. Mas o tempo pode se estender a doze horas, se não houver nenhuma resposta por parte do governo. Eles incluíram como prioridade na pauta de reivindicações uma audiência com o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e agilidade no processo de legalização da garimpagem na região do Tapajós. “O garimpeiro é quem mantém isso aqui. As cidades estão vazias. O comércio está falindo. Famílias estão passando necessidade. O governo precisa entender que a nossa tendência aqui é a garimpagem. Nós queremos a legalização. Queremos uma audiência com o ministro Ricardo Salles, para discutirmos a situação e acelerar o processo de legalização da garimpagem no Tapajós”, resume Amaro Rosa.
Fonte : TV Tapajoara   Mauro Torres

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